25 de maio de 2012 in álbum
"Na galha do Cajueiro"
"O crescimento da árvore é explicado pela conjunção de duas anomalias genéticas. Primeiro, em vez de crescer para cima, osgalhos da árvore crescem para os lados; com o tempo, por causa do próprio peso, os galhos tendem a se curvar para baixo, até alcançar o solo. Observa-se, então, a segunda anomalia: ao tocar o solo, os galhos começam a criar raízes, e daí passam a crescer novamente, como se fossem troncos de uma outra árvore. A repetição desse processo causa a impressão de que existem vários cajueiros, mas na realidade trata-se de dois cajueiros. O maior, que sofre da mencionada anomalia, cobre aproximadamente 95% da área do parque; existe também um outro cajueiro, plantado alguns poucos anos antes, que não sofre da anomalia." (Wikipédia)
10 de maio de 2012 in textos, álbum
Sempre na estrada – Um feliz Natal (RN)
Além disso, posso dizer sem parecer piegas ou exagerado que a capital do Rio Grande do Norte é uma das cidades que faz de fato com que o Brasil mereça a fama de “país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”.
É praticamente obrigatório ao visitar a capital
riograndenortense, o passeio de bugre pelas dunas e praias do litoral norte
(Genipabu). Dei a sorte de estar com “o melhor ‘bugueiro’ de Natal”, Totonho,
que há 18 anos faz passeios na região. Contando histórias curiosas e engraçadas
sobre a cidade com gírias como as que dão título a esse trecho, o ‘bugueiro’ torna
o dia ainda mais agradável. É neste passeio que os mais aventureiros podem
descer, “com emoção”, na prancha de madeira do ‘esquibunda’ e na tirolesa do
‘aerobunda’.publicado também no blog: oipreguica.com
28 de abril de 2012 in música, textos
Alguns quereres
Quero justiça, alegria e quero paz,
Mas com direitos iguais, como já disse Tosh
E quero mais que um milhão de amigos do RC
Ser como Luís e suas maravilhas do mundo quero comer
Quero me esconder debaixo da saia da minha amada
Como Martinho da Vila, em ancestral batucada
Eu quero é botar meu bloco na rua, qual Sampaio
Quero o sossego de Tim Maia olhando um céu azul de maio
Eu quero é mel, como cantou Melodia
Quero enrolar-me em teus cabelos
Como disse Wando à moça um dia
Quero ficar no teu corpo, como Chico em Tatuagem
E quero morrer com os bambas de Ataulfo bem mais tarde
Só que bem mais tarde
Eu quero ir pra ver Irene rir, como escreveu Veloso!
19 de abril de 2012 in opinião, textos
“Intolero” a intolerância
Escolhi começar o post com este neologismo contraditório barato pra poder ser o mais claro possível. A intolerância e seus artifícios mais presentes (o preconceito, o fanatismo religioso, a homofobia, o racismo, a prepotência, o orgulho, e tantos outros) são as únicas atitudes que deveríamos não tolerar com veemência.
Mas ao olhar para tudo o que escrevem, compartilham e “debatem” por aí este não tem sido o rumo tomado pela prometida liberdade de expressão e informação. Muito pelo contrário, qualquer texto, reportagem, imagem, campanha que toque em assuntos ditos “polêmicos” fica sujeito à crucificação geral.
É espantoso como por trás de seus teclados tanta gente consegue se vestir de autoridade para opinar sobre assuntos diversos, impondo suas opiniões. Sem pensar que para poder não tolerar algo, é preciso pelo menos fazer o simples exercício de tentar se colocar no lugar do outro.
Não defendo que as pessoas não devam ter opinião, ou a teoria de que tudo é relativo. No entanto, opinião pressupõe a existência de argumentos sólidos e racionais para apoiá-la. Não é simplesmente dizer “eu odeio isto”, “odeio quem gosta disso”,” xingo com palavrões e desejo a morte de quem gosta disso”. E, sem exageros, é isto o que vemos por aí quando algumas pessoas discordam das outras em assuntos simples como o gosto musical ou outros mais complexos como a opção religiosa, sexual, aborto e eutanásia.
Parece que, com a relação impessoal que a internet proporciona, os intolerantes encontraram a brecha para expor a sujeira que existe no pensamento humano. Como não serão obrigados a ouvir discordâncias, como o outro não está na sua frente para contrapor, os intolerantes se vestem de inverdades para despejar tudo aquilo que está ali dentro. E acabam se mostrando ditadores de valores vis, como certos Bolsonaros que ganharam destaque (imaginem só!) com suas idéias distorcidas da realidade.
Incomoda-me muito saber que é este o tipo de conversa que anda dominando os novos espaços de relacionamento. Ao mesmo tempo, é bom pra saber o quanto ainda precisa ser feito para realmente haver respeito.
Não escrevo estas palavras tortas com a intenção de que possam mudar algum intolerante. Mas, se alguém aí concorda comigo, comente aqui, ou no seu próprio blog, em seu facebook, algo que ajude a ocupar os espaços com mensagens como esta. Espalhe tolerância por aí.
10 de abril de 2012 in traços, álbum
Capas ousadas de jornais
Correio Braziliense (DF) - A Comissão da Verdade, criada pelo governo federal para investigar o paradeiro de desaparecidos políticos durante o regime militar no Brasil, ainda causa constrangimentos e polêmica em ambos os lados – militares e defensores dos direitos civis. Um dos casos é emblemático: a morte, em cárcere, do jornalista Vladimir Herzog. O jornal, então, lembrou que os brasileiros não sabem, há 48 anos, o que, de fato, aconteceu. A imagem diz mais que tudo.

O Dia (RJ) - A recente morte do humorista Chico Anysio (1931 – 2012) deixou o mundo artístico – e os fãs dele – muito triste. O jornal fluminense encontrou um modo ímpar de informar os leitores, sugerindo que não somente o humorista faleceu, mas também os mais de 200 personagens criados por ele ao longo de uma carreira inteira.

Diário do Comercio (SP) - O diário aproveitou a célebre imagem da campanha do presidente norte-americano Barack Obama com a frase dita por ele em um encontro com o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva para informar, na primeira página, o índice de popularidade recorde da presidente Dilma Rousseff. "Ela é o cara", estampa o jornal.

5 de abril de 2012 in listas, música
Leoni e a internet (na lista de belas parcerias da nossa música)
Entre os músicos da geração do rock Brasil 80, um dos que talvez mais dialogue com a geração que ouve músicas pela internet é Leoni, o ex-líder da banda Kid Abelha e, à época, os Abóboras Selvagens. O cantor tem renovado sua base de fãs Brasil afora turnê após turnê, mesmo sem grande exposição na mídia, ajudado pelo compartilhamento de conteúdo pelas mídias sociais.
Prova disso foram parcerias recentes de Leoni com duas das bandas que mais fazem sucesso entre os apreciadores da “música digital” (no sentido de disponibilização, não no sentido da composição). Com Móveis Coloniais de Acaju “refez” a música “Você” que mudou de nome para “Dois Sorrisos”, num esquema de composição que foge do usual.
Sobre como surgiu o projeto com o Móveis, Leoni afirma em seu blog: “Sei que trocamos mensagens pelo Twitter sobre música livre, ou direitos autorais, sei lá – compartilhamos muitas ideias nesses campos -, e em determinado momento escrevi que devíamos fazer alguma coisa musical um dia. Para minha surpresa esse convite não passou batido. Um dia recebi uma canção quase pronta, que se chamava “Você”. Era bem bacana, mas os Móveis não estavam convencidos de que ela estava pronta. Eles me pediram para ouvir e ajudá-los a arrumar. Isso tudo por e-mail, sem nunca termos nos visto, nem falado ao telefone.”
A canção acabou sendo lançada numa promoção on-line de Dia de Namorados de uma grande empresa distribuidora de alimentos, com um clipe que tem até pedido de casamento real, depois de um processo de composição praticamente todo feito pelo Skype, Google Doc’s e outros aplicativos de internet.
Não foi diferente a parceria com Daniel Santiago e Fernando Anitelli, da trupe O Teatro Mágico, com quem Leoni compôs e cantou “Nas margens de mim”, música do terceiro álbum da banda. Também em seu diário virtual, Leoni afirma que a música, que tem influências que vão do Clube da Esquina (Beto Guedes, Lô Borges, Milton Nascimento, ...) ao poeta Manoel de Barros, foi composta digitalmente. A bela canção tem trecho que parece caber bem ao processo de mudança na concepção musical a que Leoni tem se submetido: "Me desaprendi".
- A canção surgiu de uma melodia do Fernando com retoques do Daniel. Eu recebi a base e remontei o formato da canção. Foram uns dois e-mails de cada lado até batermos o martelo na versão final. Depois de gravada a base ele me mandou uma versão com os espaços onde eu deveria cantar. Fiz uma gravação de voz e a enviei por e-mail -, conta ele sobre o processo.
Para completar, o cantor é também um dos que tem se engajado nas discussões sobre os desafios do mercado fonográfico com a possibilidade de compartilhamento de arquivos musicais em formato digital. Além de seu blog “Diário de Bordo”, sobre a carreira musical, ele mantem outro (musicaliquida.blogspot.com.br) com textos que expressam sua opinião e a de outros sobre o debate.
A parceria com o Móveis, que funcionou como um cartão virtual de dia dos namorados
29 de março de 2012 in frases
As frases do Millôr
A esse mestre das palavras, Millôr Fernandes, minha admiração com uma seleção de frases irônicas, engajadas, céticas, engraçadas, ácidas, sábias, virtuosas, polêmicas, enfim, iluminadas:
"Em geral as pessoas que se perdem em pensamentos é porque não conhecem muito bem esse território."
"O mal de se tratar um inferior como igual é que ele logo se julga superior."
"Os nossos amigos poderão não saber muitas coisas, mas sabem sempre o que fariam no nosso lugar."
"A girafa, calada, lá de cima vê tudo e não diz nada."
"Metade da vida é estragada pelos pais. A outra metade, pelos filhos."
"O homem é um animal que adora tanto as novidades que se o rádio fosse inventado depois da televisão haveria uma correria a esse maravilhoso aparelho completamente sem imagem."
"De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha do que a abstinência."
"Por mais violento que seja o argumento contrário, por mais bem formulado, eu tenho sempre uma resposta que fecha a boca de qualquer um: vocês têm toda a razão."
"Se uma imagem vale mais do que mil palavras, então diga isto com uma imagem."
"O melhor movimento feminino ainda é o dos quadris."
"Gastronomia é comer olhando pro céu."
"Toda uma biblioteca de Direito apenas para melhorar quase nada os dez mandamentos."
"Há homens que devem à esposa tudo o que são, mas em geral, os homens devem à esposa tudo o que devem."
"Algumas pessoas matam. As outras pessoas se satisfazem lendo a notícia dos assassinatos."
"Todo homem nasce original e morre plágio."
"Eu não quero viver num mundo em que não possa fazer uma piada de mau gosto."
"Você pode evitar descendentes. Mas não há nenhuma pílula para evitar certos antepassados."
"Quão maravilhosas as pessoas que não conhecemos bem."
"O mal do mundo é que Deus envelheceu e o Diabo evoluiu."
"A ocasião em que a inteligência do homem mais cresce, sua bondade alcança limites insuspeitados e seu carácter uma pureza inimaginável é nas primeiras 24 horas depois da sua morte."
"Você está começando a ficar velho quando, depois de passar uma noite fora, tem que passar dois dias dentro."
"As pessoas que falam muito acabam sempre contando coisas que ainda não aconteceram."
"Não é que com a idade você aprenda muitas coisas; mas você aprende a ocultar melhor o que ignora."
"O cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde."
"Com muita sabedoria, estudando muito, pensando muito, procurando compreender tudo e todos, um homem consegue, depois de mais ou menos quarenta anos de vida, aprender a ficar calado."
"Cada ideologia tem a inquisição que merece."
"Sim, do mundo nada se leva. Mas é formidável ter uma porção de coisas a que dizer adeus."
"O desespero eu aguento. O que me apavora é essa esperança."
"Você pode desconfiar de uma admiração, mas não de um ódio. O ódio é sempre sincero."
"O coração tem imbecilidades que a estupidez desconhece."
"Esnobar é exigir café fervendo e deixar esfriar."
"Anatomia é uma coisa que os homens também têm, mas que, nas mulheres, fica muito melhor."
"Paz na terra aos homens de boa vontade. Isto é, paz para muito poucos."
"O que esse país realmente precisa é que alguém apague a luz no fim do túnel."
"Toda alegria é assim: já vem embrulhada numa tristezinha de papel fino."
"E convém não esquecer que bitributação é quando arrancam seis vezes o dinheiro do cidadão. Pois o normal já é tributação."
"Não devemos resisitir às tentações: elas podem não voltar."
"Viver é desenhar sem borracha."
"Viva o Brasil onde o ano inteiro é primeiro de abril!"
"Depois de bem ajustado o preço, a gente deve sempre trabalhar por amor à arte."
"Criança é esse ser infeliz que os pais põem para dormir quando ainda está cheio de animação e arrancam da cama quando ainda está estremunhado de sono."
"Dizem que o Governo, depois de proibir ao cidadão comum usar armas, vai proibir ao Exército possuir armas de uso exclusivo dos traficantes."
"Nunca faço planos pro futuro, mas ele faz cada um pra mim..."
"Ser gênio não é difícil. Difícil é encontrar quem reconheça isso."
"Certas coisas só são amargas se a gente as engole."
22 de março de 2012 in comentários
Coluna "Sempre na estrada" (2)
Confira novo texto da coluna 'Sempre na estrada' no blog Oi Preguica!.
13 de março de 2012 in cenas
A lição de Hugo Cabret
“Monsieur Labisse me deu um livro. Ele(o livro) tem um propósito. Tudo tem um propósito. Até as máquinas:os relógios dizem as horas;os trens levam a lugares. Servem seus propósitos. Por isso as máquinas quebradas me deixam triste. Não servem a seus propósitos. Talvez seja assim com as pessoas. Perder o nosso propósito é como estar quebrado. Eu imaginava o mundo inteiro como uma grande máquina. Máquinas nunca vêm com todas as peças extras, você sabe. Elas sempre vêm com a quantidade exata de que necessitam. Então percebi que, se o mundo inteiro era uma grande máquina, eu não poderia ser uma parte extra. Eu tive que ficar aqui por algum motivo.”
A fala nem é tão original assim, uma vez que já ouvimos inúmeras vezes em livros, cinema, televisão ou palestras, reflexões sobre “o propósito de cada um de nós no mundo”. Mas se encaixa perfeitamente dentro da metáfora criada para o enredo do filme que conta a história de um menino órfão que trabalhava cuidando das engrenagens dos relógios de uma estação de trem. O que mais marcou, porém, foi a cena real que presenciei na saída da sala do cinema.
Mãe e filha que estavam sentadas na mesma fileira que eu e assistiam empolgadas ao longa, vencedor de 5 prêmios Oscar, acabaram fazendo do diálogo entre Hugo e Isabelle um momento de aprendizado de uma lição. Já durante o filme a filha, que devia ter uns 4 ou 5 anos, fazia perguntas e observações como esta: “Olha mamãe: ele gostou dela e ela gostou dele”, durante a engraçada cena em que o inspetor da estação tenta se aproximar da florista da estação com um sorriso forçado.
Ao sair da sessão a mãe aproveitou a deixa e perguntou à menina: “Você viu filha? Todos nós temos um propósito no mundo.” Ao que a filha indagou: “Onde mamãe?”. “No filme”, respondeu a mãe. A menina lembrou empolgada: “Vi! E qual é o meu propósito, mamãe?”. Deu pra imaginar a ponderação da mãe num desses momentos em que a criança faz uma pergunta difícil, não deu?Depois de uma breve pausa a mãe respondeu: “Você vai descobrir com a vida, minha filha”.
É uma pergunta que geralmente fazemos pela primeira vez lá pelos anos da adolescência e que aquela menina acabou antecipando por causa do filme. E talvez fosse a resposta mais simples e palpável para uma criança.
Mas eu, com essa minha mania de pensar, tentei encontrar uma resposta para A GRANDE QUESTÃO DA VIDA, e eis um esboço: “Você vai procurar e em vários momentos vai acreditar ter encontrado. Mas depois vai ver que aquilo não te basta. Vai encontrar novamente e ficar satisfeito por um tempo. Depois vai acreditar que precisa procurar mais. E vai continuar procurando, talvez pelo resto de sua vida. Provavelmente por que não deve existir apenas um grande propósito, ou ainda, por que o nosso grande propósito no mundo seja a busca constante por um”.
7 de março de 2012 in textos
(Auto) Negação

P.S.: A palavra “não” (advérbio de negação) tem a força de um verbo de ação. Daqueles que podem paralisar, fazer pensar, obstruir e até intensificar o desejo pelo proibido se transformando em afirmação. Desde pequenos ao ouvirmos da boca de nossos pais, o “não” tem a força de nos enquadrar naquilo que é socialmente aceito. É de fato importante para a educação. Mas o “não” sem reflexão se torna uma imposição acéfala a qual respondemos automaticamente.
*Ouvindo “Eu não sei na verdade quem eu sou” (Fernando Anitelli - O Teatro Mágico) e “Garota de Ipanema” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
4 de março de 2012 in listas, música
Panela do samba
Escrevo este post ouvindo uma boa seleção de um canal do youtube. Ao ver e ouvir os vídeos notei que todos os artistas deste estilo parecem se conhecer, pois em algum momento eles se encontram pra cantar alguma coisa juntos. Os velhos sambistas recebem os velhos amigos, ou abrem a "casa" pra jovens no estilo. Os jovens estão sempre fazendo alguma parceria, compondo uns pros outros, cantando em shows e dvd's. Todos estão sempre, de alguma forma, homenageando aqueles sambistas que já morreram. É uma grande panela onde até se misturam outros estilos: rockeiros, artistas da mpb e do axé estão sempre se infiltrando e fazendo alguma parceria. Por essas e outras que na minha lista de belos duetos da música brasileira não podia faltar o samba. Parece que ele existe mesmo pra reunir as pessoas.













